Sábado, Abril 04, 2009

Refexões

Olá. Volto com mais uma promessa de manter a continuidade do blog, talvez semanal, quem sabe? Estou numa nova condição agora e isso pode ajudar. Sou atualmente professora da UFMS no campus de Três Lagoas, trabalho com as disciplinas de Currículo, ensino e cultura. Linguagem, leitura e escrita e também com Infância e Sociedade. O trabalho com estas disciplinas poderão fornecer elementos para alimentar o blog, que tinha a proposta de pautar discussões que não estivesse somente no campo das relações étnico-raciais, vamos ver o que é possível?

Quinta-feira, Novembro 06, 2008

Yes, We Can!

Queridos/as estou feliz e quero compartilhar com vocês!



Yes, We Can!!!

Obama teve uma avó, e isso fez toda a diferença na vida dele. Ele hoje é Presidente dos EUA. Hoje Sou Barak Obama. Quero que o Brasil seja Barak Obama. Basta de racismo. Nunca imaginei que meu filho poderia ver um homem negro como presidente de um país feito com o sangue de gente negra escravizada. Sei que isso não altera a questão estrutural, não de imediato, mas a vida é feita de simbolismos e mudanças graduais. Sim, nós podemos e sonhamos com menos discriminação e mais igualdade. Yes, We Can. Viva Barak Obama!!!!! Mandela!! Abdias Nascimento! Mãe Beata! Mãe Menininha e outras...

Ele disse:

"É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença. É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados".

I have one dream. We Can!

Domingo, Outubro 19, 2008

Palestras...





Depois de 7 meses ausente da minha terra fui até lá trabalhar. Isso foi dia 3/10. Fiz uma palestra para cerca de 300 educadoras da educação infantil sobre meu velho e querido tema: Relações étnico-raciais na educação infantil. Após a minha apresentação veio o silêncio, aquele constrangedor em que a palestrante pensa. Será que ninguém gostou e por isso não querem prolongar a conversa??? Depois de alguns segundos vi que o silêncio era decorrência do impacto que minha fala teve e as pessoas precisaram de algum tempo para digerí-la. Após esses preciosos segundos vieram as tão esperadas questões. Parte que mais gosto neste processo. Elas como sempre mexem comigo e me colocam a pensar para além daquele momento em que somos instigadas a buscar uma resposta, ainda que não definitiva para a questão posta, a reflexão é tamanha que decidi compartilhar com vocês as questões e as reflexões. Assim a partir de amanhã vou incluí-las pouco a pouco. Já tenho uma coleção delas porque neste sábado 18/10 partipei do Primeiro encontro de implementação da Lei 10.639 da região metropolitanda de São Paulo e tenho também deste momento muitas questões interessantes. Penso que este exercício me ajudará a elaborar melhor as questões que vem aparecendo e também dar concretude a uma idéia antiga minha e de Patricia Santana de Minas Gerais de escrever um livro com as perguntas com as quais nos deparamos em cursos de formação de professores/ras. Vamos ver se desse jeito tenho argumento para visitar mais este blogue. É isso!

Domingo, Setembro 28, 2008

Participação no IX ALADAA- B




Um evento é sempre espaço de rever amigos queridos. Neste pude reencontrar Amauri Mendes do RJ, pessoa especial e militante aguerrido. Além disso aprendemos bastante. Neste evento participei de um GT especialmente dedicado às discussões sobre relações étnico-raciais e educação infantil, fato inédito na minha vida de pesquisadora,não a participação em um GT, é claro. Mas um GT com a especificidade deste. Ele foi proposto por Carolina Teles, uma jovem pesquisadora da USP que tenho certeza produzirá muita coisa boa.

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Eu estive lá e valeu a pena

Queridos/as participei da organização do 4o Prêmio Educar para a Igualdade Racial, promovido pelo CEERT, foram intensas as atividades até chegarmos no curso de formação para as professoras finalistas e na noite de premiação. Tudo tão lindo! Tudo natural. Foi ótimo conhecer as pessoas e partilhar o sonho de construção de uma sociedade livre do racismo e das discriminações. Quem quiser saber mais visite o site www.ceert.org.br estão as experiêncas. Belíssimas.

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

Entrevista para o Sinpro Sp - PARTE II


Edição nº 182 - 19/11/2007

A diferença como valor positivo

Leia a entrevista com a pesquisadora Lucimar Rosa Dias
O dia 20 de novembro não é feriado aí na Venezuela, mas aqui no Brasil há várias cidades que decidiram homenagear o líder do Quilombo dos Palmares. Temos de fato motivos para comemorar?

Temos sim, e muito. E entendo que o grande homenageado deva ser o movimento negro. É a força desse movimento que renova a batalha, a luta diária pela superação de todas as desigualdades. É um movimento que, embora tenha caminhos variados e organizações bem diversas, continua muito vivo e atuante, desde a época colonial. É esse movimento também que tem conseguido pautar a sociedade com as questões relacionadas aos negros. Avanços importantes já aconteceram, como as cotas nas universidades, a aprovação da Lei 10.639, que dispõe sobre o ensino transversal da trajetória dos negros no país, e até o avanço a olhos vistos na produção acadêmica. Então temos sim motivos para festejar, embora a reflexão precise estar sempre presente, para aprofundarmos as conquistas.
Como a senhora iniciou e passou a conciliar as trajetórias de militante e de pesquisadora?

Eu sempre fiz parte do movimento negro. Eu pertenço a uma organização de Mato Grosso do Sul chamada TEZ, Trabalho e Estudos Zumbi. Ali era um lugar de discussão de reflexão e de muita proposição. Ali foi a base que possibilitou meus outros caminhos. Eu fiz magistério e quando entrei na faculdade de Pedagogia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, a questão de como os negros são vistos e tratados nas escolas começou a ficar muito presente. Eu já era professora da educação infantil nessa época e uma colega minha começou a ficar muito preocupada com um aluno dela, negro, de uns seis anos, que se sentia muito mal por ser o único negro da classe. O aluno era discriminado pelos colegas e se sentia péssimo com isso. A professora, embora não atuante no movimento organizado, era muito sensível a essa questão e me procurou para ter idéias de como abordar o problema com seus alunos.
Você já trabalhava com pesquisas relacionadas à questão do espaço do negro na educação?
Não, e isso é que foi mais interessante. Na TEZ, tínhamos uma metodologia muito bacana para discutir a discriminação e o preconceito, mas era uma metodologia para adultos, nunca tínhamos enfrentado o desafio de lidar com o problema com crianças. Foi um desafio mesmo. Então, junto com outros membros da TEZ e com outra professora, que viria a ser minha orientadora, criamos uma metodologia, aplicamos e tivemos muito bons resultados ali. Meu mestrado então foi verificar o que tinha acontecido nas escolas que haviam aplicado a nossa metodologia. Na verdade, o que tinha acontecido com o conhecimento. Queríamos saber se ele tinha sido utilizado, expandido, modificado. Se a escola tinha mudado e se o professor tinha sentido alguma diferença.
Antes de revelar o que aconteceu com esse conhecimento, você poderia contar como é a metodologia criada e aplicada por vocês?

Bem, o início de tudo, o que mais queremos ensinar é a diferença como valor positivo. A idéia desse método é que ao final de sua aplicação a criança tenha começado a construir em si a noção de que a diferença é um valor positivo. E o grande desafio é como trabalhar essa noção com crianças pequenas, da educação infantil. Ou seja, como introduzir e trabalhar essa pauta. O que nós pensamos foi primeiro trabalhar com flores. Levamos rosas de cores variadas e dizemos que é uma surpresa e eles têm que adivinhar o que é. Vamos dando dicas até que os alunos descobrem que são flores. Quando expomos as rosas na roda, começamos a perguntar o que eles estão vendo e a questão da cor, da diferença da cor, salta aos olhos. Logo eles percebem que são diferentes. E, na comparação delas e seguindo a provocação que vamos fazendo, eles acabam percebendo que, embora diferentes, todas as rosas têm o mesmo valor, servem para as mesmas coisas. Aí termina a primeira etapa. A segunda etapa é com pintinhos, ou com qualquer outro animal. Pode ser coelho, gato, cachorro, mas pintinho é legal porque são baratos, fáceis de encontrar e podem morar na escola por um tempo. Também com os pintinhos o método se repete, até que eles chegam à conclusão que também no caso dos animais (exatamente como no caso das flores e das plantas), a diversidade e a diferença são coisas legais, bonitas.
E a etapa seguinte deve ser com pessoas.

Exatamente. A gente propõe que eles descubram a terceira surpresa e eles descobrem que são eles mesmos e passam a se comparar e nesse momento o professor tem que ser muito atento. Porque uma coisa é falar de planta e bicho. Outra coisa é falar de si e dos seus pares. Nessa etapa as coisas mais ricas se revelam.
É aí que as crianças se mostram preconceituosas?

Isso mesmo. Aqui a discriminação e o preconceito racial aparecem. Aparecem em relação ao professor, caso ele seja negro, e aparecem mais forte em relação aos colegas. Aí é preciso muita delicadeza para desconstruir o discurso da criança que manifesta o preconceito sem feri-la e sem expor o colega discriminado. Porque não queremos ficar fazendo discurso, massacrando as crianças, doutrinando contra o racismo.
Mas essa criança de três a seis anos ainda não tem bagagem para discernir sobre o racismo...

Não tem. Ela repete um discurso que acaba formando suas percepções, mas ainda não tem, nem deve ter responsabilidades em relação a isso. Por isso é tão comum, quando ela tem uma professora negra e gosta dessa professora, o fato de desculpar a professora por ser negra. Deixe-me explicar melhor. A criança diz: eu não gosto de preto. E a professora responde: mas eu sou negra, você não gosta de mim? E a criança emenda: mas é que você é professora. Entende? As coisas ainda não estão sedimentadas, ainda há espaço para trabalhar e mostrar que se a criança gosta, a cor é só um detalhe, não é importante. Então o que a gente quer provocar com tudo isso é a reflexão. Vamos levando as crianças a pensar sobre aquilo que estão falando, sobre essa questão e dá resultado, viu?
No seu mestrado você foi buscar o que ficou da aplicação desse método em algumas escolas. O que encontrou

Bem, pesquisamos três escolas em que o método havia sido aplicado. E encontramos uma que quase não apresentou mudanças. Quer dizer, passou a comemorar o 20 de novembro, incluiu a data no calendário, mas só. A que mais apresentou mudanças aplicou o método e expandiu, aprofundou, adaptou à realidade daquela escola. Mas em todas, o que a gente encontrou foi uma constatação comum, mas que faz toda a diferença: para fazer diferença, não basta a boa vontade do professor. Porque em todas havia professores bem dispostos, atentos ao tema. O ponto de virada é a infra-estrutura e o apoio. O professor precisa se sentir amparado para aplicar mudanças assim, se não a coisa não vai para frente.
Quando a senhora diz que a escola precisa apoiar, do que estamos falando exatamente?
Em primeiro lugar, a instituição precisa ser sensível a essa questão do negro, à questão da discriminação e dos direitos dos cidadãos de todas as cores. Se a escola passa ao largo disso, não vai funcionar. Outra coisa é que a escola precisa oferecer a estrutura para amparar o professor na tarefa de discutir as diferenças. Se a escola só tem revistas com fotos de pessoas brancas, não dá para fazer uma colagem representando a diversidade. Tem um recurso comum, que é contar histórias de princesas japonesas, africanas, muçulmanas. É importante que a criança realize essas imagens de alguma maneira, e a escola precisa ajudar com isso. Estou falando das coisas simples e até das mais complexas. Mas principalmente a escola precisa ter uma política de superação das diferenças. Essa que eu pesquisei e que mais avançou na metodologia era uma escola com uma proposta pedagógica bem consolidada e construída coletivamente. E isso ajuda bem.
E quando a senhora fala em bons resultados, como é que se mede isso?
Em relação às crianças? Bem, criança é muito perspicaz, porque dá os retornos muito rapidamente. A primeira coisa que surpreende no trato com os meninos é que embora eles tragam um discurso carregado de preconceito, eles são muito abertos à reflexão. Se a gente oferece os conteúdos, eles vão colhendo e construindo seu próprio raciocínio, se esse conteúdo for cidadão, comprometido com a superação do racismo, da discriminação, do preconceito, o resultado é que essas crianças atentarão para isso, serão crianças preparadas para lidar emocional e intelectualmente com o problema. Na minha experiência, o que me chama a atenção é a naturalidade. Quando uma criança fala naturalmente que alguém é negro – mesmo que fale preto – isso é um indicativo importante. A característica de ser negro não pesa nada para aquela criança e isso é ótimo.
Voltando à sua resposta sobre a escola apoiar... No final, a senhora destaca o papel da escola e da família. Essas crianças são tão pequenas... De onde vem esse preconceito? Porque muitas vezes a família é atenta às questões raciais, mas a criança manifesta um comportamento de certa forma oposto.

É isso é mais comum que se imagina. Claro que a família é o berço, é a influência primeira, mas não é a única. Somos uma sociedade cheia de influências, desde os cuidadores das crianças, como as avós, as babás, as creches, até chegar à escola e à mídia. Eu li uma pesquisa linda da Unicamp em que a autora falava sobre a diferença de tratamento de berçaristas para um mesmo comportamento de um menino negro e de um branco. Quando um bebê negro empurra o berço até o meio do dormitório, a berçarista comenta: esse menino é um furacão! Se é uma criança branca, a mesma berçarista diz: vocês viram como o fulano é esperto? Olha até onde ele trouxe o berço! Repare que os bebês não têm discernimento sobre a diferença no tratamento, mas ambos introjetarão que o branco leva alguma vantagem. Sem falar na mídia, que estimula uma discriminação velada, que finge ser inexistente. E devagarzinho, com essas atitudes aparentemente inocentes, mas que na verdade são carregadas de negativismo, vamos construindo cidadãos preconceituosos, que estabelecem diferenças entre negros e brancos. E contra isso, uma das ferramentas de ação são essas metodologias como a que construímos com os pré-escolares, porque uma ação dessa mexe com todo mundo. Com a criança, com seus pais, com sua família, com a escola, com o círculo de amigos, até chegar à sociedade. Pelo menos é nisso que a gente acredita.
E há metodologias para alunos e também para professores. Esse foi o assunto de sua tese de doutorado, não é?

Foi. No mestrado, nossa atenção era para a escola. No doutorado o foco é o professor especificamente.
Você pesquisou os professores que aplicaram a metodologia da diferença como valor positivo?
Não, dessa vez o alvo foram professores que passaram por cursos de formação para a superação das diferenças. Em várias cidades do Brasil, os governos nos vários níveis oferecem esses cursos de formação que pretendem preparar o professor para lidar com as questões de preconceito, discriminação. No meu doutorado analisei dois cursos, um de Mato Grosso do Sul e outro oferecido pela prefeitura de Campinas. A idéia era falar a partir do ponto de vista do professor. O curso ajuda? Atrapalha? Faz sentido? O que eles aprendem lá? O que dá para aplicar? Como a escola reage? Mas sempre sob a ótica do professor que passou pela formação.
A que conclusões vocês chegam e como o professor sai de uma experiência como essa?
De novo temos respostas variadas. Tem desde os professores que acham interessante e fim até aqueles que mudam radicalmente sua ótica, seus métodos e seus cuidados. E de novo, o que pesa aqui é a infra-estrutura. Se a escola, ou pelo menos o sistema educacional, dá apoio, o professor deslancha; caso contrário, ele se sente sozinho, inseguro, incapaz de implementar tudo aquilo que aprendeu no curso. E, normalmente, os professores saem muito motivados, cheios de idéias. Se a escola banca, eles conseguem levar seus projetos adiante. Mas se a escola ignora aquela possibilidade é uma frustração enorme para o educador. Em Campinas o caso é emblemático porque superar as diferenças raciais é uma política de estado. Então a escola fica fortemente sugerida a cumprir aquela determinação. O que é ótimo para o professor, que recebe um respaldo motivador. E a gente acha que é por aí mesmo. Mexer nas escolas, mexer nos professores para trabalhar o estudante para, no fim das contas, alcançar um mundo mais igualitário.

Entrevista para o Sinpro Sp - PARTE I


Edição nº 182 - 19/11/2007
A diferença como valor positivo
Pesquisadora fala sobre o negro e a educação

Por Elisa Marconi e Francisco Bicudo

“Valeu Zumbi/ O grito forte dos Palmares/ Que correu terras, céus e mares/ Influenciando a Abolição” dizia o início do samba-enredo Kizomba – festa da raça, de Martinho da Vila, que levou a Escola de Samba Unidos de Vila Isabel ao primeiro lugar do carnaval carioca de 1988. Quase vinte anos depois, esse mesmo grito permanece ecoando na sociedade brasileira, apesar dos inegáveis avanços alcançados. Se é fato que a democracia racial ainda é um mito no país, é verdade também que no ano de 1995 o dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi, o último líder do Quilombo de Palmares, símbolo da resistência contra a colonização portuguesa, transformou-se oficialmente no Dia da Consciência Negra; em 2007, já é feriado em três capitais (São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá) e em mais de 200 cidades grandes, médias e pequenas, espalhadas por diferentes estados. O líder negro alcançou status de herói nacional, colocando-se ao lado de personagens como Tiradentes e Duque de Caxias, e é visto como ícone das lutas pela liberdade e contra a escravidão e a opressão dos negros.

Mas qual é afinal o significado dessa data? Há motivos para a comemoração? O SINPRO-SP conversou com a educadora Lucimar Rosa Dias. Ela garante que, apesar de ainda restar muito, mas muito mesmo por fazer, há inquestionáveis razões para fazer do Dia da Consciência Negra uma data festiva. “A inclusão do 20 de novembro no calendário oficial do país e a consagração de Zumbi como herói nacional já são duas grandes conquistas”, defende.

A pesquisadora entende que as homenagens mais que merecidas ao líder de Palmares devem-se sobretudo ao esforço secular feito pelo movimento negro. “Não se trata de uma data imposta de cima para baixo, mas sim de uma luta construída a partir dos militantes, que obteve eco na sociedade”. Ela comemora também o fato de os variados temas que compõem essa agenda pública segmentada atualmente já terem atingido repercussão em diversos outros setores da sociedade, ultrapassando a esfera específica dos grupos que atuam diretamente com o tema, com destaque para a produção acadêmica. “O que salta aos olhos hoje é como o negro e suas questões estão presentes nas pesquisas, nas dissertações, nas teses e nas aulas. Ganhar a academia e as escolas é um passo importante para que o tema seja multiplicado”.

Graduada e mestre em Pedagogia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-bolsista da Fundação Ford, a pesquisadora não esconde o fato de sempre ter sido militante do movimento negro – até hoje faz parte de uma entidade chamada Trabalho e Estudo Zumbi, a TEZ, em Mato Grosso do Sul. E, na universidade, seu principal tema de pesquisa não poderia ser outro: o lugar do negro na educação. O encontro dessas duas vertentes – as experiências prática e a teórica – é um dos nortes da entrevista que a especialista concedeu ao SINPRO-SP, diretamente da Venezuela, onde mora atualmente e onde está iniciando mais um projeto de pesquisa, desta feita sobre os venezuelanos afro-descendentes. Os melhores momentos da conversa você acompanha aqui.

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Pesquisadora fala sobre o negro e a educação
Leia a entrevista com a pesquisadora Lucimar Rosa Dias

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pessoa que sonha e por isso luta por uma sociedade sem discriminação, tenho um filho maravilhoso, fiz doutorado na Faculdade de Educação da USP, trabalho há 20 anos com a educação e quero muito viver numa sociedade sem preconceitos.
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Publicações

  • Geração XXI: vozes de quem vive essa história. In: SILVA, Cidinha. Ações Afirmativas em Educação:experiências brasileiras. São Paulo: Summus, 2003
  • “Quantos passos forma dados? A questão de raça nas leis educacionais. Da LDB de 1961 a Lei 10.639/03. Revista On-line “Espaço Acadêmico” www.espacoacademico.com.br/038/38cidas.htm, n.38, junho, 2004.
  • Quantos passos já foram dados? A questão de raça nas leis educacionais - da LDB de 1961 à Lei 10.639/03. In: ROMÃO, Jeruse (org.) Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidades: Brasília, 2005;
  • O desafio pedagógico de formar professores para promover a igualdade racial na escola.www.mulheresnegras.org/doc/ texto_para_site_mulheres_negras.rtf, acessado em 1/07/2006
  • Formação de Professores para o combate ao racismo. A experiência do GRUPO TEZ -Trabalhos e Estudos Zumbi, co-autora. Cadernos de diálogos pedagógicos. Combatendo a intolerância e promovendo a igualdade racial na educação sul-matogrossense, pág. 45-49, Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul, 2006.
  • Mãe, cadê o lápis cor da pele?, Por: Lucimar Rosa Dias - 30/05/2006. http://www.afropress.com
  • Questões sobre a educação na África e a educação anti-racista brasileira: reflexões. Revista Espaço Acadêmico, n.60, maio, 2006, http://www.espacocademico.com.br/rea_autores.htm

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