Quinta-feira, Outubro 18, 2007

Gracias Negra. Reflexões sobre La negritud



Estou na Venezuela desde abril de 2007 e para olhos atentos para a questão das relações raciais brasileiras, não foi difícil perceber que aqui há questões bastante distintas se comparadas ao Brasil. Uma delas atrevo-me a dizer é a questão da denominação, embora, seja perceptível que a população negra esteja entre os mais pobres, identificados em serviços como babás e domésticas, por exemplo, também é verdade que a classe média aqui tem a pele mais escura. Ao entrarmos em ambientes freqüentados por esse grupo como consumidores não é nada difícil encontrar pessoas negras e mulatas entre eles. Também não é complicado ver esse mesmo tipo físico na escola do meu filho, tido como da classe média "alternativa" se é que esse adjetivo possa ser aplicado aqui do mesmo jeito o que o fazemos em Sampa. Mas de todo modo tá feito. Na escola de Sampa exceto eu havia umas três mães negras e mulatas e crianças que eu me lembre tinha a mesma quantidade. Aqui na escola do Fabiano não há um número expressivo, mas sem dúvida entre pais e filhos a quantidade é bem maior que três. Bem mas voltemos a questão da denominação. Ao contrário do Brasil na Venezuela os termos "negra" e "negro" são largamente utilizados para indicar aquele tal jeito carinhoso de que tanto falam no Brasil. Aqui as pessoas negras são chamadas de negras mesmo sem ofensas de parte a parte. Também tratam-se os nativos de Criollo ou La Negra para designar pessoas nascidas no país. É comum ouvirmos referência a alguma personalidade venezuelano como "La Negra tuvo gran exito en Brasil" em manchetes de jornal!!! Indicativo suficiente para nos indicar que a questão dos afrodescendetes na Venezuela passa por outras vias que não a denominação coisa tão cara para os Brasileiros. Tudo isso pensado por mim depois de um simples agradecimento que recebi hoje pela manhã quando após dar dinheiro a uma senhora ela muito agradecida me disse: "_ Gracias, Negra!" Pensei é não estou no Brasil.

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Publicações

  • Geração XXI: vozes de quem vive essa história. In: SILVA, Cidinha. Ações Afirmativas em Educação:experiências brasileiras. São Paulo: Summus, 2003
  • “Quantos passos forma dados? A questão de raça nas leis educacionais. Da LDB de 1961 a Lei 10.639/03. Revista On-line “Espaço Acadêmico” www.espacoacademico.com.br/038/38cidas.htm, n.38, junho, 2004.
  • Quantos passos já foram dados? A questão de raça nas leis educacionais - da LDB de 1961 à Lei 10.639/03. In: ROMÃO, Jeruse (org.) Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidades: Brasília, 2005;
  • O desafio pedagógico de formar professores para promover a igualdade racial na escola.www.mulheresnegras.org/doc/ texto_para_site_mulheres_negras.rtf, acessado em 1/07/2006
  • Formação de Professores para o combate ao racismo. A experiência do GRUPO TEZ -Trabalhos e Estudos Zumbi, co-autora. Cadernos de diálogos pedagógicos. Combatendo a intolerância e promovendo a igualdade racial na educação sul-matogrossense, pág. 45-49, Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul, 2006.
  • Mãe, cadê o lápis cor da pele?, Por: Lucimar Rosa Dias - 30/05/2006. http://www.afropress.com
  • Questões sobre a educação na África e a educação anti-racista brasileira: reflexões. Revista Espaço Acadêmico, n.60, maio, 2006, http://www.espacocademico.com.br/rea_autores.htm

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