
Estou na Venezuela desde abril de 2007 e para olhos atentos para a questão das relações raciais brasileiras, não foi difícil perceber que aqui há questões bastante distintas se comparadas ao Brasil. Uma delas atrevo-me a dizer é a questão da denominação, embora, seja perceptível que a população negra esteja entre os mais pobres, identificados em serviços como babás e domésticas, por exemplo, também é verdade que a classe média aqui tem a pele mais escura. Ao entrarmos em ambientes freqüentados por esse grupo como consumidores não é nada difícil encontrar pessoas negras e mulatas entre eles. Também não é complicado ver esse mesmo tipo físico na escola do meu filho, tido como da classe média "alternativa" se é que esse adjetivo possa ser aplicado aqui do mesmo jeito o que o fazemos em Sampa. Mas de todo modo tá feito. Na escola de Sampa exceto eu havia umas três mães negras e mulatas e crianças que eu me lembre tinha a mesma quantidade. Aqui na escola do Fabiano não há um número expressivo, mas sem dúvida entre pais e filhos a quantidade é bem maior que três. Bem mas voltemos a questão da denominação. Ao contrário do Brasil na Venezuela os termos "negra" e "negro" são largamente utilizados para indicar aquele tal jeito carinhoso de que tanto falam no Brasil. Aqui as pessoas negras são chamadas de negras mesmo sem ofensas de parte a parte. Também tratam-se os nativos de Criollo ou La Negra para designar pessoas nascidas no país. É comum ouvirmos referência a alguma personalidade venezuelano como "La Negra tuvo gran exito en Brasil" em manchetes de jornal!!! Indicativo suficiente para nos indicar que a questão dos afrodescendetes na Venezuela passa por outras vias que não a denominação coisa tão cara para os Brasileiros. Tudo isso pensado por mim depois de um simples agradecimento que recebi hoje pela manhã quando após dar dinheiro a uma senhora ela muito agradecida me disse: "_ Gracias, Negra!" Pensei é não estou no Brasil.
